05/01/26
Estimado Roberto Bolaño:
Hoje comecei simbólica e oficialmente minha jornada ou odisseia literária em busca de algumas respostas sobre sua obra. Quero dizer que com umas ideias na cabeça, um livro sobre conceitos de Bakhtin, uma caderneta embaixo do braço e uma caneta no bolso fui até a biblioteca Chácara do Castelo, a biblioteca do bairro, a fim de esclarecer, ou melhor, de me aprofundar no seus métodos de escrita e na sua criação de personagens.
Passei um par de horas lá e apesar dos pernilongos e algumas distrações, a saber, o Livro das Citações de Eduardo Gianetti, consegui apreender algo sobre as teorias e hipóteses do filósofo e crítico russo sobre o romance polifônico. Acredito que seu pequeno romance Amuleto assim como Os Detetives Selvagens façam parte dessa categoria de romances e a teoria de Bakhtin assim como seus conceitos irão me auxiliar nessa aventura.
Fiquei com muita vontade de lhe escrever, tarefa que venho procrastinando há algum tempo desde o ano passado quando o candidato José Antonio Kast ganhou as eleições no Chile. Também tinha dúvidas se iria lhe escrever em espanhol ou português, então optei pelo mais fácil tendo em vista que de onde quer que você esteja suas garras e ganas de aprender coisas novas tenham se mantido.
A propósito sou brasileiro, tenho 50 anos, e há uns 20 anos, salvo engano, tenho tido um intermitente contato com seus textos. Alguns amigos e pessoas próximas até acreditam que sou especialista em sua obra pela quantidade de vezes que evoco seu nome e suas personagens ou seus enredos. Lhe escrevo pra saber como você está, pra lhe informar sobre a confusão e o atual estado das coisas do cone sul e desse mundão sem remédio e lhe deixar a par de que você ainda tem um público leitor fiel - às vezes se assemelhando a um cultismo - além de lhe manter informado sobre minhas dúvidas e minha pesquisa sobre seus textos, personagens e obra.
Espero que essas linhas não estejam lhe chateando,
Alcides Ferreira























